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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O PISO MOSAICO!


Em geral um dos primeiros trabalhos que se solicita a um Aprendiz Maçom, depois de falar da sua iniciação, é discorrer sobre o piso mosaico.

Esse tema rico é comumente abordado de forma muito pobre e totalmente sem proveito para a formação humana do iniciado. Ao lado de vários outros temas ricos pobremente tratados, a interpretações que se fazem hodiernamente nos trabalhos de Loja acerca do piso mosaico constitui desperdício temático. Mas em que consiste esse desperdício? E porque é um desperdício?

Tem-se por prática na maçonaria produzir um conjunto de preconceitos factuais, misturando e ignorando por completo os avanços nas mais variadas esferas do conhecimento humano. Ao falar do piso mosaico é comum destacar que na Maçonaria ele é o exemplo da convivência fraterna entre os diferentes. Outros procuram dizer que ele é a dualidade e sob outro ponto de vista pode ser considerado nefasto, pois representa a briga entre bem e mal e tudo que isso implica. Porém, poucos param para pensar sobre o atual quadro da maçonaria e em que sentido ele é “convivência” da diversidade. Por exemplo, já ouvi de um Irmão no Estado do Espírito Santo dizer que não se admitia negros na Maçonaria. Aliás, tem muito Confrade que se esconde por trás do mistério para dizer as maiores perolas da burrice humana.

A falsa idéia de que o piso mosaico representa a convivência entre diferentes pode ser estendida ao fato que não há mulheres na Maçonaria ou homossexuais masculinos. É uma falsa interpretação dizer que há convivência de diferentes na Ordem. É mais plausível dizer que há um “arremedo” de diferente. Até mesmo nas Lojas Maçônicas há uma seguimentação de status social e intelectual, isto é, existem lojas de médicos; outra de empresários; outra de militares. O que comprova a dificuldade de levar esse princípio da diversidade à frente em Loja.

A idéia de diversidade propalada esbarra ainda no desejo explicito e inconsciente de “corpus militare” tão ufanado pela Ordem. A idéia de militar revela um desejo de semelhança entre todos, ou como é comum ouvir irmãos dizerem, hombridade. Só há hombridade onde existem iguais e não diferentes.

Nos equívocos históricos e literários temos outros detalhes que corroboram nossa investida contra a falsa idéia de diversidade na Maçonaria, expressa no piso mosaico. No contexto de James Anderson, o pastor falido e que ganhava a vida fazendo genealogias fantasiosas para quem o pagava com a intenção de obter um passado nobre, diversidade era uma falsa idéia. Na verdade o que havia era um grupo pessoas, intelectuais e comerciantes com problemas em comum. Em geral eram forasteiros em Londres, caso de Desaguliers, vindo de Paris fugindo pelo fato de ser “protestante” em terras Católicas e James Anderson, oriundo da Escócia e vivendo em Londres sofrendo as discriminações que um nordestino vive em São Paulo.

Nesse contexto de tão propalada convivência com os diferentes representada pelo piso mosaico, somos levado a pensar que eram “iguais” se unindo para se proteger das adversidades e que o “simbolismo” do piso mosaico serviu apenas como fundamento de algo não tão nobre que é era a realização de interesses matérias. James Anderson o de ser aceito na sociedade londrina – e produzir sua subsistência – e Desaguliers uma estrutura para executar seus experimentos científicos.

A questão, portanto, do piso mosaico como sinônimo de diversidade cai por terra enquanto ícone de diversidade no interior da Loja. Somos mais um grupo de iguais em busca de interesses pessoais, sejam eles nobre ou não. O que é diverso parece-nos ser apenas os interesses. Alguns à procura de promoção intelectual, outros, navegar na política Estatal e, sobretudo, os famigerados advogados em distribuir o “cartãozinho” no final da seção.

Um leitor honesto que seguiu as linhas desse texto ensaístico pode fazer a pergunta: Mas afinal, não há um sentido nobre para o piso mosaico? Seria ainda assim possível tomar esse símbolo tão forte nas Lojas sob uma ótica proveitosa?

Pensamos que seja possível abordar o tema do piso mosaico sob uma ótica proveitosa e formativa, mas é preciso desmontar a falsa idéia historicamente cultivada acerca desse símbolo. Pode-se, por exemplo, refletir quão difícil é conviver com o diferente e que o piso mosaico nos lembra sempre essa questão. Outro veio temático é o caráter preto-branco no qual a sociedade de massa vive, dito de outro modo, a sociedade de massa vive uma vida na qual a realidade parece ser dividida entre isso ou aquilo. Esse simplismo do real, que é  complexo, põe dificuldades para vida das pessoas. A vida não é “oito ou oitenta”, ser pai, por exemplo, não se reduz a isso ou aquilo. Consiste em um exercício muito mais  complexo.

Para apontar um caminho proveitoso ou, como dirá um advogado de plantão, “profícuo” na formação de quem chega à Maçonaria, o tema do piso mosaico deve ser o “ponta pé” para se discutir o conceito de “cultura de massa” e tudo que implica pensar a cultura. Decorre desse símbolo uma ampla reflexão sobre a formação “humanística” nos dias de hoje, pois vivemos em época de sociedade que reduz e ridiculariza qualquer tentativa de ir além dos “entretecimentos”. Dizer para um “curioso” que na Maçonaria se discute filosofia é uma piada, pois para a cultura de massa só existe as coisas do sexo e da violência, temas veiculas a cada segundo nos vários canais de televisão. Nesse contexto de cultura simplista, de dualidade da realidade, só pode existir o que a TV diz existir. Na TV só tem erotismo e violência, logo, para essa cultura na Maçonaria só pode existir uma coisa ou outra.

Enfim, o texto é apenas um aperitivo, uma introdução breve para o tema do Piso Mosaico. Aliás, o texto não tem a pretensão de ser “O Texto” sobre piso mosaico, pois em maçonaria o que nos motiva é o fato do trabalho reflexivo coletivo. A possibilidade de participar desse projeto coletivo é que estimula a fraternidade.

Ir. Almeida




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